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Preconceitos que moldam nossa visão do mundo

Nós gostamos de pensar que somos seres humanos racionais, porém, estamos propensos a muitos preconceitos que nos levam a pensar e agir irracionalmente, e até mesmo pensar que somos racionais apesar da evidência de irracionalidade, o que também é conhecido como viés cognitivo.

Viés cognitivo é algo ruim?

Vieses cognitivos são atalhos mentais (conhecidos como heurísticas) e, na verdade, fazem muito sentido: eles são projetados para nos ajudar a sobreviver desde as espécies humanas anteriores ao Homo sapiens.

Nossos cérebros evoluíram ao longo de milhares de anos mas ainda operam da mesma maneira até hoje, apesar de nosso ambiente extremamente diferente e de mudanças rápidas. O mundo é muito complexo e os seres humanos nunca foram bombardeados por tanta informação diariamente.

Não podemos processar todas as informações que nos rodeiam, portanto, devemos recorrer a atalhos mentais para tomar decisões de maneira rápida e eficaz.

Bom para sobrevivência mas ruim para o progresso

Os vieses muitas vezes podem resultar em pensamentos precisos, mas também nos tornam propensos a erros que podem ter impactos significativos no desempenho geral da inovação, pois interferem na economia do conhecimento moderno em que vivemos e podem restringir a criatividade e o pensamento voltado à inovação e por consequência travar o progresso.

O viés cognitivo é o maior obstáculo auto-imposto ao progresso, não apenas para si mesmo, mas, no final, para toda a humanidade.

Desconhecido

Você acredita na gravidade?

Muitas crianças acreditam no papai Noel, no coelho da páscoa, na fada do dente e vão desacreditando dessas lendas a medida que vão aumentando o seu alcance de conhecimento, aprendendo fatos comprovados que fazem oposição as suas crenças, e claro, quando descobrem que são seus pais que colocam os presentes na árvore de natal, espalham os ovos de páscoa e substituem os dentes perdidos por dinheiro.

Pensando assim, podemos dizer que conforme vamos crescendo e aprendendo ficamos imunes às crenças, certo?

Errado! O fato de crescermos e aprendermos um pouco não significa que já temos o conhecimento sobre tudo. O que acontece na prática é que trocamos nossas crenças em lendas por nossas descrenças na ciência e nos métodos científicos, isso tudo baseado em nossas experiências e preconceitos (vieses cognitivos) que moldam nossa visão sobre tudo.

Considerando o que discutimos até aqui, pense se você algum dia vai ouvir alguém dizer: “Você acredita que se subir em um prédio e jogar uma bola de basquete lá do alto ela vai cair?”. Não vai ouvir alguém dizer isso porque a gravidade é algo evidente.

Seguindo esse fluxo de pensamento, você nunca vai ouvir a pergunta: “Você acredita na gravidade?”, porém é bem provável que ouça as seguintes perguntas: “Você acredita no aquecimento global?”, “Você acredita na evolução humana?”, “Você acredita em organismos geneticamente modificados (GMOs)?”, “Você acredita na eficácia das vacinas?”.

Isso nos leva a pensar e questionar sobre o que molda as nossas percepções.

Viés de confirmação

É a tendência de se lembrar, interpretar ou pesquisar por informações de maneira a confirmar crenças ou hipóteses iniciais. Se resume a encontrar somente evidências que suportam o que já acreditamos. Tal efeito é mais forte em questões de forte carga emocional e em crenças profundamente enraizadas.

Pessoas espertas creem em coisas bizarras porque elas são hábeis em defenderem coisas em que vieram a crer por razões não-espertas.

Michael Shermer

É esse viés cognitivo que faz com que discutir com as pessoas seja realmente irritante. Por quê? Porque a maioria das pessoas pensa que sabe do que está falando. O problema é que você também acha que sabe do que está falando.

“Como a outra pessoa pode não ver a lógica clara e impecável do meu argumento e ver que estou claramente correto?!” HAHA!

Pensar assim é um equívoco, e é provável que ambos os envolvidos sofram do viés de confirmação. Procuramos a confirmação de nossas crenças ou opiniões em qualquer contexto ou situação. Encontramos cenários que o apóiam e depois nos apegamos a eles, independentemente de quão terrível nosso argumento possa ser.

Efeito Dunning-Kruger

O efeito Dunning-Kruger é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos; é a sua incompetência que os restringe da habilidade de reconhecer os próprios erros. Estas pessoas sofrem de superioridade ilusória. Em outras palavras, as pessoas acham que sabem mais do que realmente sabem ou elas subestimam o que realmente sabem.

Se você é incompetente, você não consegue saber que é incompetente, pois as habilidades necessárias para fornecer uma resposta correta são exatamente as habilidades que você precisa ter para ser capaz de reconhecer o que é uma resposta correta.

Dissonância cognitiva

Todo ser humano visa equilibrar seus comportamentos de acordo com suas crenças e valores. Quando uma ação é tomada e nossas percepções entram em conflito, dá-se o nome de dissonância cognitiva. Quando ocorre, a pessoa se depara com a distância entre o que ela acha correto e deseja, com o que de fato ela faz e realiza e isso causa estresse e desconforto mental.

Uma ilustração clássica de dissonância cognitiva é retratada na fábula da Raposa e as Uvas. Na história, uma raposa vê algumas uvas e quer comê-las e quando a raposa é incapaz de pensar em uma maneira de alcançá-las, decide que não vale a pena comer, com a justificativa de que as uvas, provavelmente, não estão maduras ou que são azedas. A moral que acompanha a história é “Qualquer tolo pode desprezar o que ele não pode ter”.

Para finalizar…

O que podemos fazer para aumentar nosso alcance de conhecimento e evitar ser tão vulnerável a esses preconceitos que moldam nossa visão do mundo?

Faça um inventário de seus próprios preconceitos. De onde eles vêm? Sua educação, sua perspectiva política, sua fé – o que molda seus próprios preconceitos? Então, avalie suas fontes. Onde você obtém suas informações? O que você lê, o que você assiste, o que você ouve?

Porque aumentar o nosso alcance de conhecimento e não ficar refém de nossos preconceitos não é só importante para nós como indivíduos mas também como sociedade.

Quais são seus pensamentos sobre esse assunto? Eu gostaria muito de ouvir você agora. Compartilhe seus pensamentos na seção de comentários abaixo.

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